O entendimento dos parâmetros subjetivos relacionados às texturas e aos materiais pelos projetistas, contribuem para uma adequada percepção de valor e a subsequente aceitação de um produto pelo seu consumidor. Esta é a conclusão do trabalho da pesquisa do Dr. Éverton Sidnei Amaral da Silva, apresentado no Happy Hour com Tecnologia de junho no IBTeC. “Design, tecnologia e percepção: relação do design emocional com texturas e materiais” foi o tema do evento.
Na palestra, o professor do Curso de Design da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS falou sobre a pesquisa realizada para o seu Doutorado, em que trabalhou junto à École Nationale Supérieure d’Arts et Métiers - ENSAM, de Paris/França. O objetivo era avaliar o impacto de texturas sobre a percepção sensorial, semântica e emocional dos objetos. Na pesquisa, o professor colocou vários materiais para avaliação sensorial na França e no Brasil, e detectou que em alguns casos as reações são diferentes, “o que remete possivelmente às diferenças antropológicas, relacionadas a fatores culturais, linguísticos e geográficos de cada região”, acredita o palestrante.
Um dos destaques na pesquisa foi o estudo sobre os materiais que revestem volantes de diferentes automóveis. As conclusões apontaram para uma importância muito grande aos materiais utilizados no acabamento. Mas ficou evidenciado também que um design desatualizado não consegue recuperar a percepção de valor mesmo quando revestido com materiais de visual e toque agradáveis. Ainda nos volantes, a pesquisa apontou para uma aceitação muito maior quando as texturas são suaves, ou seja, escalas reduzidas dos elementos que compõem o padrão da textura e com toques de maciez.
A pesquisa mostrou que no ramo automobilístico, há um incremento gradativo e significativo do uso de texturas, em todos os componentes, como forma de tornar o produto visualmente atrativo, e como forma de agregar percepção de valor ao consumidor. Por décadas, as imitações de couro em texturas poliméricas se banalizaram. Hoje, as texturas automotivas apresentam tendências a migrar dos padrões de formas orgânicas para formas geométricas, atrelando valores semânticos mais tecnológicos.
Trazendo a discussão para a área calçadista, o palestrante falou da importância multissensorial no uso de material com visual e toque. Ele desafiou os profissionais que atuam na área de calçados a trabalharem de uma forma “que o design desperte a experiência do novo”. Ele lembrou que “um bom design precisa estar aliado ao uso de materiais confortáveis e texturas que produzam reações positivas”. Para o pesquisador, “a textura é extremamente relevante para a percepção de valor”.
Em um futuro muito próximo, preconiza o palestrante, “as superfícies macro e nanotexturizadas farão parte do cotidiano industrial, se popularizando não somente por suas vantagens tecnológicas, mas também por suas influências perceptivas e emocionais”. Muitos estudos já destacam efeitos não apenas visuais, mas funcionais, como a repelência à agua e possibilidade de troca de calor que se refletirá no conforto dos calçados, por exemplo. Ele ainda salientou que “a multiplicidade sensorial enriquece a experiência do usuário”.